A vulnerabilidade é a verdadeira coragem

Agora entenda seus convites e seja grato
7 de agosto de 2018
O comprometimento pessoal te faz viver experiências únicas e suas
22 de agosto de 2018

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem

 A vulnerabilidade em certos momentos é o que te faz mudar.

Como falamos na publicação anterior: É bom descobrir que pessoas são um convite  em nossas vidas. Entenda seus convites e seja grato.

Quero contar como eu descobri onde mora a coragem e como passei a usá-la em minha vida com propósito.

Quando eu era criança lembro-me de acordar um dia no meio da noite e procurar pela minha mãe. Eu não estava sozinha, meu pai estava comigo, mas eu queria mesmo a minha mãe.

Naquele momento ela não estava e como toda criança que tem o intelecto em desenvolvimento, não tinha informações suficientes para entender que estava tudo bem.

Meu lado emocional fez o papel dele e daquele momento em diante eu registrei essa informação como um trauma emocional que pode ser traduzido como: fui abandonada.

É incrível como nossas memórias são registradas de forma emocional.

Somos seres que sentem. Nascemos e choramos porque sentimos. Crescemos e continuamos sentindo, com o tempo vamos desenvolvendo nossa razão, intelecto, mas sempre sentimos, desde que estávamos na barriga de nossas mães.

Os anos passaram, mas aquele trauma continuou inconscientemente fazendo parte da minha vida. Lembro-me que vi o céu laranja- avermelhado e o sol nascia.

Eu passei a acreditar desse dia em diante que ao escurecer, estaria sozinha e não há o que fazer até que o sol volte a raiar.

Nossos sentidos dão vida às memorias.

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

Tudo que vi, ouvi e senti naquele dia ficou registrado e então ao vivenciar a cena novamente, mesmo que não estivesse acontecendo nada, eu tinha as mesmas reações.

No meu caso, tive o convite de ter que vivenciar o cair da noite diariamente por muitos anos.

Passei anos pedindo que meu pai dormisse comigo e ficasse acordado até que eu dormisse. A sensação que alguém continuava acordado enquanto eu dormia me dava a falsa paz de que caso eu acordasse, ele estaria acordado e tudo estaria sob controle.

Anos se passaram e eu me lembro que até os meus 14 anos eu sentia meu coração acelerar e o desespero aumentava cada vez que o sol ia embora. Eu chorava e desesperadamente esperava meu pai chegar em casa. Eu tinha tanto medo que não desgrudava dele até a hora de ir dormir.

Dos 9 aos 17 anos eu presenciei minhas amigas se reunindo e combinando de dormir uma na casa da outra ( como toda garota faz com as melhores amigas do colégio), mas eu mesma nunca fiz isso e cresci sem essa experiência por conta do medo de estar sozinha no meio da noite. Eu também não contei para ninguém naquela época, era uma “besteira” da minha cabeça e eu não sabia explicar de onde vinha aquele medo.

Chegou a hora de liberar meu pai e eu não sabia exatamente como resolver esse estranho medo, não sabia mais que desculpas dar para meus amigos por não dormir na casa deles, já não suportava mais perder viagens legais.

Dos 17 em diante eu tive que dar meu jeito para permanecer acordada durante toda a noite e achar uma maneira de não me sentir sozinha ou abandonada.

Com muita criatividade, empenho e simpatia (sim, fiz muitos amigos nas madrugadas pelas ruas de São Paulo) eu consegui passar as noites em claro até os 23 anos.

Foi quando, sem saber, decidi encarar a vulnerabilidade, me coloquei numa posição vulnerável. Vou explicar.

Eu entendi que o passo necessário era encarar a parte “imperfeita”.

A única certeza que eu tinha era de que eu podia falhar e isso bastou para tomar a minha decisão.

Escolher a vulnerabilidade e ser vulnerável é o mesmo que escolher participar da vida, com a parte boa e a parte feia. É entender que encarar a vulnerabilidade é expor dores e fraquezas para quem conquistou sua confiança e entender que se colocar em posição de vulnerabilidade não é fraqueza e sim coragem.

A minha decisão foi…

Eu decidi morar em Los Angeles e ninguém acreditou na minha decisão e com razão, afinal até este dia tudo que eu comuniquei para minha família e amigos foi: MEDO.

Algumas pessoas riram, outras opinaram coisas do tipo “vá para um lugar mais perto onde você possa voltar a qualquer momento.”, outras pessoas nem participaram, outras apoiaram mesmo descrentes.

Eu preparei todos os documentos e cada vez que algo dava certo eu sentia mais medo e mais sozinha.

Eu tinha dois caminhos: desistir ou arriscar.

Desistir significava deixar as coisas familiares e arriscar significava ficar vulnerável e encarar a vulnerabilidade.

Faltando 15 dias para minha viagem em uma conversa com minha família na mesa de jantar, eu os avisei do tempo para a partida e foi quando todos se deram conta que eu falava sério.

Eu iria viajar para Los Angeles sem data de volta. Percebi a surpresa, a dúvida e o medo nos olhares de alguns deles outros já mais conscientes, torciam por mim.

Nessa altura do campeonato eu estava prestes a resolver um trauma que eu não sabia qual era, mas sabia que não queria mais viver com isso.

Com menos de 10 dias para a partida eu ainda não tinha um lugar para morar apenas um número de telefone de uma pessoa que eu não conhecia, uma matrícula em uma universidade, um rapaz que havia conhecido 2 meses antes quando passei por Los Angeles de férias em Janeiro, documentos e uma espécie de fé sem saber o que era isso necessariamente.

Estava totalmente vulnerável, encarando de perto a vulnerabilidade.

Eu tomava remédios para dormir e outros mais nesta época. Lembro da minha seriedade em contar os comprimidos e colocá-los espalhados pelas malas e na mochila.

Levei o dobro do que realmente precisava para passar pelo menos 6 meses. Como se já não bastasse eu estar me sentindo completamente vulnerável diante da minha própria vida e das pessoas, eu recebi uma ligação que exigia que eu ficasse no País.

Eu estava pronta para ir, não queria desistir.

A situação então era: ou eu ficava e continuara dando um jeito de permanecer acordada, ou tomando remédios e nunca saberia se conseguiria. Eu fui.

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

E naquele vôo eu tive as 16 horas mais longas da minha vida!

Um silêncio nunca foi tão barulhento. A solidão nunca pareceu tão assustadora. O medo nunca foi tão presente e a vontade de voltar era uma certeza que eu tinha dentro de mim.

Tive muitos desafios neste período em Los Angeles e ao mesmo tempo que tudo era assustador também era emocionante!

Eu passei meu primeiro dia na cidade num carro vermelho velho (que não tinha 3a marcha) de um rapaz que eu vira 1 vez na vida, descobrindo onde morava aquela menina que eu vira 1 vez na vida também em sua despedida e eu nem sabia se ela lembraria de mim.

Ao encontrá-la procuramos um apartamento e encontramos. Meu colega de carona nos emprestou 5 pratos e algumas panelas e nos levou para comprar colchões infláveis.

Pronto, era tudo que eu tinha e não tinha naquele momento.

Eu não tinha mais nenhuma forma de parecer bem resolvida, perfeita e decidida. Eu estava totalmente vulnerável, imperfeita e necessitada de ajuda.

Eu não sabia falar inglês, não sabia onde era a universidade e nem como faria para comer alguma coisa naquela cidade.

Eu entendi que para participar da minha vida, daquele momento eu não podia esperar ser perfeita.

Eu fui vulnerável por não saber falar inglês, por não ter um amigo na faculdade (a maioria das pessoas que eu conheci viajaram de seus países com algum amigo, irmão, primo ou conhecido), por não saber comprar comida, por não saber falar com as pessoas, por ter vivenciado 2 terremotos e não poder fazer nada a respeito.

Qual a grande recompensa de ter vivido isso tudo?

Eu pertenci inteiramente a minha vida e a vida das pessoas que estavam lá.

Não havia nada que me parecesse chato, insignificante, melhor ou pior, divertido ou não. Tudo era incrivelmente perfeito.

Já se passaram alguns anos e já recebi mensagens de pessoas que se tornaram grandes amigos. Japão, Coreia, Taiwan, Colombia, Istambul, Russia, Estados Unidos, Brasil.

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

Todos eles me serviram com suas histórias e dores e eu pude fazer o mesmo ao compartilhar com eles dúvidas, dificuldades, medos e histórias da minha própria vida.

A minha dificuldade com o inglês foi um grande convite para que todos pudessem rir das minhas palavras erradas, mas ao mostrar essa imperfeição pude receber ajuda, apoio e admiração dos meus colegas.

Minha vulnerabilidade aproximou as pessoas de mim pois relacionar-se é isso, é se mostrar, aparecer e ousar mesmo sendo imperfeito. Estamos aqui para isso, caso contrário devemos aceitar a ideia de solidão e medo.

Contei essa história para que você entendesse que aquilo que um dia foi dor pode ser convite para servir as pessoas.

Uma vez que você se colocar vulnerável você estará emitindo a seguinte mensagem:

“eu aceito minha parte bonita e minha parte feia, sendo assim sou inteira”.

Pessoas inteiras podem doar-se por inteiro. Sirva as pessoas com a sua dor, não em forma de vitimação mas pelo amor. Vulnerabilidade é amar. Amar requer aceitação. Aceitar-se é saber que é digno de ser amado.

Quero que você veja o presente que é.

Contei minha historia  para somente te servir.

Neste exato momento estou sentada na varanda onde passei a noite chorando esperando pela minha mãe, foi onde também pude ver o sol nascer e por mais de 14 anos não dormir durante a noite em paz.

Mas hoje estou aqui vendo o por do Sol refletindo no vidro das sacadas dos prédios da frente e em gratidão lhe dizer que meu desejo é que a minha dor esteja servindo a você neste momento e no seu processo de transformação.

Poderia escrever sobre experiências de vulnerabilidade por mais centenas de milhares de páginas, mas creio que há uma história em minha vida que pode falar com você tanto quanto a maioria das pessoas do mundo.

Acredito nisso pois essa historia se trata de relacionamento amoroso.

Nos fomos feitos para nos relacionar.

Como eu já disse, pessoas vem e vão em forma de convite. Algumas ficam outras não. O que é importante nisso tudo, nesse vai e vem de seres especiais?

A forma como nos relacionamos com cada um deles.

E qual foi a coisa mais incrível que eu descobri sobre mim através das pessoas?

Que eu morria de medo de relacionamentos amorosos.

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

Talvez você esteja lendo e pensando que não tem problemas amorosos. Mas acredito que essa história pode se encaixar na vida de qualquer um! Seja lá de que forma e tipo de relacionamento for.

Nenhuma pessoa no mundo me parecia ameaçadora até que um compromisso se estabelecesse.

Sempre fui extrovertida e fiz amigos rapidamente e facilmente.

Também tinha o mesmo privilégio da minha personalidade para conhecer pessoas e me relacionar amorosamente.

No entanto, ao ponto que se aproximava um compromisso aquela pessoa passava a ser uma ameaça para mim.

Ter um compromisso com alguém significava correr o risco de não dar certo. Meu foco sempre foi no sofrimento que poderia vir, na dor que poderia sentir em ser abandonada, traída, rejeitada, humilhada.

Inconscientemente, vivendo diariamente para evitar a dor, “fracassei “em todos os meus relacionamentos amorosos.

Eu virava uma pessoa medrosa, raivosa e sem nenhuma felicidade.

Cheguei muito perto de um casamento, com direito a festa de noivado e tudo. Mas o medo sempre falou mais alto.

Quando tememos algo, “bizarramente” viramos outra pessoa, ou melhor, uma versão de nós mesmos incompleta, estranha. Um eu com medo capaz de aterrorizar tudo que aparece a frente, como forma de defesa daquilo que não existe.

É isso que o medo faz. Ele nos convence da ideia de que precisamos nos defender.

O esforço para evitar sofrer é inesgotável. A vida não segue, o coração não tem paz, a produtividade cai, o folego acaba, o dia fica cinza, o corpo fica duro, e por fim… o relacionamento acaba.

Acredito plenamente hoje que a raiva, a ira, o desdém, a indiferença, a traição e o excesso de controle são manifestações de um medo que ainda não descobrimos.

O medo é uma ideia!

Algo inculcado em nós que nos faz perceber o mundo, as pessoas e especialmente os relacionamentos como algo que podemos perder ou algo que não podemos conseguir. O medo é uma grande mentira! Mesmo assim, temos que lidar com o fato de que ele fará parte de nosso dia a dia. Mas não necessariamente precisa ser a nossa escolha.

Suas historias, suas memórias sejam com seus pais, sejam com vizinhos, namorados, namoradas, enfim, contextos, contarão muito na hora de você decidir como quer viver um relacionamento.

Se você se vê numa situação constante de discussões, brigas, acusações, ataques de ciúmes, mentiras e traições em seu relacionamento. Você está em um relacionamento tóxico.

Sei disso e vou te contar como a vulnerabilidade me libertou desses sentimentos.

Quando não podemos suportar uma rejeição, um abandono ou qualquer coisa parecida com isso, precisamos extravasar nossas dores. Precisamos projetar. Essa é a prova que o medo dominou. O medo de sofrer, de sentir dor.

A dor alimenta os relacionamentos tóxicos e se você não interromper a dor, a dor vai interromper seu relacionamento.

Isso parece fácil quando se fala e até fazer isso no primeiro dia. Mas não é tão simples viver um relacionamento sem dor quando se está com medo.

É ai que entra a vulnerabilidade.

Vulnerabilidade é coragem, já falamos anteriormente aqui.

Como aplicamos vulnerabilidade no relacionamento? Primeiramente vulnerabilidade é coragem porque é necessário reconhecer o medo e o medo não quer ser desmascarado. O medo quer permanecer oculto, dentro, intocável.

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

A vulnerabilidade é a verdadeira coragem!

Reconhecer medos é renunciar a perfeição emocional. Eu digo perfeição emocional pois sei que racionalmente você pode me dizer que não é perfeito.

Tem uma frase que ouvi uma vez e mesmo sem lembrar onde e nem do autor, eu jamais me esqueci:

“quem realmente se ama nunca precisa procurar pelo amor”

Cheguei a conclusão através dos meus relacionamentos amorosos fracassados que o oposto do amor é o medo. Mesmo que já ouvia dizer isso de uma boca ou outra, eu senti que quando o amor não está presente, o medo com certeza é o dono dessa cadeira, desse trono.

Quando não nos sentimos amados, criamos a ideia(ou seja, o medo) de que não seremos suficientes. Então nos sentimos insatisfeitos, defeituosos. Passamos a ser raivosos, irados e projetamos nos outros nossas dores e sofrimentos.

Para solucionar esse problema, passamos a fazer mais coisas e mudar quem somos com a intenção de ganharmos o direito de sermos amados.

Queremos que as pessoas se responsabilizem por nossas dificuldades e nossas dores, culpamos as pessoas e esperamos deles o amor.  O problema é que fazemos isso esperando que alguém, qualquer alguém, que não seja nós mesmos, nos dê esse certificado: “Sou digno de amor”.

Como nunca alguém será capaz de nos dar esse certificado além de nós mesmos, ficamos viciadamente insatisfeitos. Insatisfação consigo, com os outros, com as vitórias, com os projetos, com o trabalho… enfim… pessoas medrosas e sem noção do próprio valor.

Como encarar a vulnerabilidade se já estou me sentindo um bosta?

Como encarar a vulnerabilidade pode me dar a liberdade se agora eu já sinto a morte lenta e profunda no meu coração?

E como é ser vulnerável? Como é esse negócio de me colocar a prova? Isso não é mais desamor?

Bem, veja que interessante.

Vulnerabilidade é coragem e a palavra coragem vem de coração. Quando sentimos amor colocamos a mão no coração, quando duvidamos e nos preocupamos colocamos a mão na cabeça. O medo é uma ideia. Você aprende com o tempo, já o amor, você nasce com ele, mas você pode esquecer.

Vulnerabilidade é a capacidade de agir com coração. É ser honesto.

É acreditar que o amor não fracassa. Somente o medo fracassa.

Quando reconheço um medo, quando eu o revelo ele deixa de ter tanto poder sobre mim.

Se você revela sua insegurança ela deixa de ter poder sobre você tanto quanto tinha antes. Talvez ela ainda esteja lá de alguma forma, mas não tem mais tanto poder assim sobre você.

Permitir-se estar vulnerável, também lhe concede o direito de encontrar seu próprio ritmo, seu próprio lugar, te permite poder fazer as pazes consigo.

Desistir ou renunciar a perfeição te torna mais real e dessa forma as pessoas tem mais espaço para amar e serem amadas apesar dos seus defeitos e não porque parecem perfeitas.

Não tenha medo de mostrar-se. Mesmo que isso faça você ver que a pessoa que você está não reconhece o seu próprio direito de ser vulnerável.

Apenas reconheça o seu!  Confie que se você for gentil com você assumindo suas dificuldades, você conseguirá ser gentil com as pessoas, isso avança na medida em que você aprende a amar, a se amar. Amar apesar de….

Ser vulnerável sobre as suas dificuldades requer maturidade.

Sem maturidade vira vitimação. Portanto reconheça suas dificuldades mas faça algo por você mesmo. Dê pequenos passos, mas passos firmes, seja honesto com você, seja simplesmente autor da sua historia, das suas dores, das suas vitorias.

Jogue as peças na mesa! Respire fundo, faça tudo mais simples e aprenda a respeitar o tempo e assim ele te respeitará.

Sei que isso te faz pensar que você corre o risco de ficar sozinho, mas lembre-se de que estar sozinho e estar solitário são coisas diferentes.

E como disse no começo, quem conhece o amor nunca precisa procurar por ele.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *